Desde que foi anunciado o Estádio da Luz como palco da final da Champions de 2014 que se ansiava por esta partida. Parece ridículo eu sei, estarmos a ansiar tanto por um jogo de 90 minutos (neste caso até teve mais meia horita...) que passa tão rapidamente, mas saber que teríamos um dos jogos mais importantes do ano no Estádio da Luz, podendo apreciar um grande espetáculo com os melhores jogadores do planeta e viver toda a felicidade e os cânticos dos adeptos que vieram ver o jogo à espera que a sua equipa possa conquistar o maior troféu de clubes do mundo mexe com qualquer fanático por futebol.
Atlético de Madrid e Real Madrid disputavam a taça na vizinha Lisboa. O Atlético queria juntar a Champions à Liga Espanhola, naquela que seria uma das épocas de clubes mais memoráveis de sempre. Por sua vez, o Real Madrid queria conquistar "La Décima", o grande projeto dos merengues nos últimos 12 anos, com Ronaldo á cabeça a tentar vencer a sua 1ª Champions no Real, atingindo definitivamente um estatuto de destaque na história do maior clube do século XX. Dizia-se que ia ser uma final de guerreiros contra vedetas, mas para vencerem as vedetas tiveram de ser ainda mais aguerridas que os próprios guerreiros e a verdade é que mereceram vencer a final.
Lisboa encheu-se de Madrilenos que trouxeram a sua velha rivalidade, mas também um grande orgulho por estarem na 1º final 100% de uma só cidade. Aliás o facto dos dois finalistas serem espanhóis permitiu que muitos adeptos se aventurassem a vir sem bilhete, enchendo os cofres da capital e criando um ambiente quente à volta da final. A grande final da luz começa com as equipas a respeitarem as suas ideologias: Real a explorar a velocidade e qualidade dos seus atacantes e o Atlético com uma pressão altíssima e sua normal agressividade defensiva (ainda que se tenha confirmado a falta de condições de Diego Costa). Bale falha na cara de Courtois, enquanto que Godín não desperdiça perante a saída em falso de Casillas e o intervalo chega com uma vantagem que não podemos considerar injusta perante a forte atitude dos colchoneros. Contudo, na 2ª parte, o Real fez tudo para marcar foi-se aproximando cada vez mais da baliza adversária. Ronaldo aproximou-se de Benzema, Marcelo entrou fresco e deu um grande dinamismo ao corredor mas a bola teimava em não entrar muito porque Courtois fazia todas as tentativas merengues parecerem inofensivas. O golo surgiu mesmo nos descontos com uma cabeçada imperial de Sérgio Ramos e foi um prémio mais que justo por três razões: o RM nunca abrandou na 2ª parte, foi sempre uma equipa perigosa, mesmo com o jogo empatado e com obrigações divididas e os jogadores despiram o fato de gala e vestiram o "fato de macaco", mostrando que acima de tudo o que queriam era ser campeões europeus.
No prolongamento, o Atlético estoirou fisicamente e a única dúvida existente era se os homens de Simeone aguentariam até aos penalties. Di Maria não lhes fez a vontade e na condição de melhor em campo passou por três adversários, antes de Bale finalizar para o golo da vantagem. Tiago ainda tentou aproveitar outro erro de Casillas, mas Marcelo arrumou com a final fazendo um golo que fez jus à sua condição de homem que mexeu com o jogo. Ainda faltava qualquer coisa e em cima da hora ela aconteceu: Ronaldo sofre penalty e marca o seu golo 17! na presente edição da Champions, coroando as suas performance em toda esta campanha, na qual, sem ser o melhor da final, foi o melhor jogador na sua globalidade. Uma palavra para o jogo cumpridor de Tiago que merecia a distinção, tal como para o tridente de portugueses campeões de europa: Pepe, Fábio Coentrão e Cristiano Ronaldo que esperemos que estejam motivados para fazer um grande mundial. Já houve muitas finais da Champions bem menos quentes do que aquela que pudemos ter em Lisboa e devemos agradecer a final muito emotiva que acabámos por ter no Estádio da Luz.